23 de junho de 2008

Kula sem etiquetas!

Ontem tive mais uma daquelas conversas sobre a tênue linha que "separa" o pornográfico do erótico. É, e discordei do amigo que veio cheio de literaturas, etimologia e academicismo. Tudo tão floreado e cheio de preconceitos que me cansei logo da conversa, mas não pude deixar de me lembrar de um fotógrafo tcheco ( sim, estou cheia das referências tchecas e asiáticas e me dei conta disso faz pouco tempo) chamado Vlastimil Kula que começa em um dos textos pra Taschen assim:

"Primeiro não fico nada contente com as etiquetas de nu, erótico ou pornográfico. É como se colocassem sinais de limite de velocidade na floresta selvagem. Existe uma vontade inevitável e incomparável para crescer com o sexo, na arte e na natureza.Não censuremos quer que seja a través de instituições ou d a mentalidade burguesa mesquinha"

Começou seu trabalho c om o nu em meados de 90, usava uma Pentax 6x7 até pouco tempo mas se rendeu à tecnologia digital.Assim como Saudek, Kula só conseguiu trabalhar livremente após a mudança política em seu país. Certa vez recebeu ordens oficiais para diminuir o preto em suas produções porque espalharia o pessimismo na sociedade.Encontramos muitos nus de sua companheira ao decorrer de seus trabalhos e muitas vezes auto-retratos misturados a cenas recheadas de moças ou mesmo seu gozo entre pernas. Vlastimil trabalha muito com o p&b, movimentos e contrastes. Preza bem pelas sombras, eu gosto.

"...decidi tentar por mim mesmo e descobri-me no meio de uma expedição pioneira. O meu objetivo primordial foi o de condimentar a anti hipocrisia absoluta da pornografia com dinamismo, atmosfera, paixão e humor, recorrendo a todos os meios fotográficos, com exceção de truques baratos de romantismo."

O site não é bonito não, mas a gente encontra muita coisa boa por lá!

6 comentários:

Leon Prado... disse...

Não é tenue a Linha

Erotismo

s. m.,
amor sensual, lúbrico;
amor físico, prazer e desejo sexual distintos da procriação;
exaltação de tudo o que é referente ao desejo sexual;
paixão amorosa.


Erótico
Do Lat. eroticu < Gr. erotikos, relativo do amor
adj.,
relativo ao amor físico, ao prazer sensual;
lascivo;
sensual;
lúbrico.


Pornografia

do Gr. pórne, prostituta + gráphein, descrever
s. f.,
representação (por escritos, desenhos, pinturas, filmes ou fotografias) de cenas ou objectos obscenos destinados a serem apresentados a um público;
colecção de pinturas ou gravuras obscenas;
carácter obsceno de uma publicação;
devassidão.


Pornográfico

adj.,
relativo à pornografia;
obsceno;
libidinoso;
impudico.


Interessante. O texto assima foi tirado de um dos dicionários mais simples que existem o http://www.priberam.pt/ ; mas nele já se separa tão bem os objetos referentes a cada palavra, que depois de lê-lo dificilmente alguém cometeria o imaturo erro confundi-los. Discutir os limites de um e outro é como discutir o que são peras e o que são maçãs. Esse e outros tipos de discussão dentro do terreno dos pseudos intelectual são além de freqüentes, muito comuns e denotam uma imaturidade por parte de quem os pratica.
Como comunicador, acho que seria útil à quem pratica esse tipo de ação eu explicitar onde se encontra o erro gerador do eixo central dessa discussão: na falta de conhecimento. Sim na falta de conhecimento! Rs.. calma, eu sei, não é só isso. Esse não é um texto acadêmico então não há razão para tanto formalismo.
Essa falta de conhecimento, se chama ruído. Na base da comunicação temos três elementos principais o Emissor, o Meio e o Receptor. Vamos separar os elementos agora, o Emissor seria a pessoa que faz uma afirmação, o meio seria a língua portuguesa (no caso presente), ou seja o canal por onde caminha a informação para chegar ao terceiro elemento o Receptor. O fato de nunca procurar em algum dicionário o significado das distintas palavras leva o errante (procurem essa no dicionário também, vale a pena) a criar um ruído na informação, ou seja: o meio, o caminho, o canal, a via por onde a informação passa do emissor, para o receptor tem algum distúrbio que impossibilita a nítida compreensão deste por aquele, impossibilitando um dialogo mais preciso e turvando a compreensão entre os dois pontos.
Envolvido pela curiosidade de onde teria nascido esse ruído – a confusão que o emissor criou entre erótico e pornográfico – fui ainda mais longe em minhas reflexões a cerca do assunto e cheguei a seguinte conclusão: Por não consultar o dicionário em algum momento decisivo para cognição e compreensão correta dos dois termos, o emissor apreendeu por sensações particulares (conhecimento a priori) sobre o que seria um e outro, desse modo internalizou os dois objetos de maneira muito subjetiva (pessoal), o que o impossibilitou de os distinguir claramente. Na tentativa de fazê-lo, cometeu um erro grosseiro: separou-os por uma ordem de grandeza baseada no status, como por exemplo: erótico é classe A (burguês) e pornografia é classe C (proletário), esse erro além de grosseiro é bobo e classista. Uma simples leitura do dicionário teria evitado esse erro absurdo e permitido a correta compreensão dos dois termos.

Agora, avançando um pouco mais nessa discussão, gostaria de expor algumas reflexões sobre o tema pornô/erótico:

1º) Erotismo --> A palavra erótico tem sua origem em Eros o deus do amor, diz respeito ao que é relativo ao amor, amor como prazer sensual. O erotismo é o ato sexual em si pelo prazer e livre de qualquer outra obrigação que não seja o deleite sexual. É por excelência um prazer sensível. Porem o prazer erótico pode ser despertado (e agora vocês vão rir) por uma árvore, um gato ou uma bola de futebol, um fogão a lenha, uma torradeira, uma pedra no rio, um carro e porque não pornografia: três mulheres nuas, uma mulher com um pênis (isso pra mim é bizarro, mas rola, tem um monte ai nas esquinas da noite urbana e de dia na praia de Copacabana), assim como por uma fotografia, um filme, um texto, minha própria mão ou................. a sua.

2º) Pornografia --> o sufixo grafia nos leva a entender que tem de ser necessariamente algo gravado, marcado, registrado. Um livro, uma foto, um desenho, um filme, uma escultura, um desenho rupestre etc... Se formos fazer uma tradução livre do prefixo mais o sufixo separados (agora vcs vão rir de novo), teríamos mais ou menos o seguinte resultado “descrição da puta” ou de repente, quem sabe, uma “Puta descrição”, rs... ignorem o segundo, foi uma piada. Mas falando sério, isso acontece porque o prefixo “Pornô” significa “prostituta” o que nos leva a acreditar que pornografia seria a descrição, uma espécie de estudo, sobre o ato sexual. Concluindo sem rodeios (já estava lá em cima no dicionário) Pornografia é o registro do ato sexual.

3º) Pornografia/Erotismo --> Existe o erotismo na pornografia! Oras? afinal, não estão os atores do filme em um explicito ato erótico? Se descartarmos a possibilidade (e por favor não cometam o erro de questionar isso) de que os protagonistas de filmes e revistas pornôs estão ali apenas pelo dinheiro, não estriam eles dentro de um tremendo ato erótico, não estão eles se despertando o prazer sensual e sexual sem pretensão de procriar? Pois bem, não está o espectador, também, despertando em si o prazer erótico ao consumir o conteúdo pornográfico e se masturbar, ou se estimular de qualquer outra maneira? Acredito talvez, que na época onde se originaram essas palavras o conteúdo pornográfico não passava, talvez, de uma espécie de manual para os amantes. Algo tipo o Kama Sutra que ao contrario do que pensa a maioria (nunca acreditem no Fantástico) nada tem a ver com ilustrações, se tratando apenas de um livro sem desenhos com de estudos teóricos e práticos sobre o ato sexual. Sim são muitas as posições! O curioso é que quem o escreveu nunca participou de nenhum ato sexual, dizem as escrituras que ele era um monge abstêmio.
Já, ao ver o homem ou mulher que alcança o prazer sensual ao registrar uma pessoa nua, pessoas nuas se masturbando, transando ou qualquer outra coisa por ai... esse registro pode ser, foto, desenho, filme, pinturas rupestres, tatuagem e o que mais sua imaginação conseguir alcançar; ao constatar que existem pessoas que tem como fonte do prazer: fazer o registro (conheço alguns, eu mesmo acho a idéia interessante – devo lembrar que sou desenhista ta galera – rs...) ficamos diante de um caso onde se invertem os papeis: o que antes era a fonte passa a ser a motivação. O erotismo que representava a fonte da pornografia troca de papel e passa a ser o motivador, ficando então a pornografia parte central do prazer erótico.

Bom, isso é só uma curta tese, vocês podem se matar por ai a vontade negando, discordando, reafirmando ou transformando. Está ai pra isso ... abraços...

Ps.: me perdoem os que entrarem no meu blog, ele anda em constrição

Eduardo Ferreira disse...

Arte
do Lat. arte

s. f.,
conjunto de preceitos ou regras para bem dizer ou fazer qualquer coisa;

bom...para mim é o bastante.

Heyk Pimenta disse...

Oi, gostei do assunto, do blog, e da forma com que foi abordado.
Colaboro do mesmo blog que o cara que pos essa resposta enorme aí que vc vê, ainda não li o que ele escreveu, mas seja lá o que vc achar, vamos continuar a conversa, porque acho necessário e meio.

Brigado.

Parábens

Heyk Pimenta disse...

Bom li o texto do leon tbm agora.

Legal, ele deprecia o seu texto um pouco, e meio sem motivo pelo que entendi, força normal pra construir o contraponto que às vezes espirra na depreciação cabeçuda.

Mas olha, ele mostra um caráter classista que não vi nesse seu texto não. Vc viu?

Bom, mas concluo: primeiro sintamos. E sentir independe do nome que a coisa tbm, não é assim, mas deveria ser.

Legal, vamos trocando.

tá tudo lá em texto no http://manazinabre.blogspot.com

Heyk Pimenta disse...

cara, fui lá ver o site, sinistro. legal, mais uma pra história!

FlaM disse...

Todos os imbecis da Burguesia que pronunciaram sem cessar as palavras: imoral, imoralidade, moralidade na arte e outras sandices, fizeram-me pensar em Louise Villedieu, puta de cinco francos, que certa vez, acompanhando-me ao Louvre, onde nunca estivera, pôs-se a enrubrecer, a cobrir o rosto, e puxanndome a cada instante pela manga, me perguntava, ante as estátuas e quadros imortais, como era possível exibir-se publicamente semelhantes indecências.

(Charles Baudelaire, Meu coração desnudado)

*A propósito ver também:
http://palavraetom.blogspot.com/2008/04/erotismo-pornografia-e-erotolalia.html