24 de janeiro de 2011

se(rinoceronte)





Olhou-se no espelho com um certo desdém, dos pés à cabeça confusa, tentaria se pentear.Vestiria aquela blusa fina de botões, iria simplesmente. Uma vez ouviu que deve seguir como os rinocerontes. Firmes, ostentando uma certa secura, indiferença. Um brinde aos rinocerontes!! Engoliu aquele conselho como pequenas pílulas que por vezes emperram no meio do caminho, as mesmas que parecem balinhas delicadas. Talvez a cura pra essa cara amassada sejam suas palavras, pilulinhas que engole sem muito prestígio. No espelho viu o caleidoscópio que é ser assim mesmo. A independência é uma loucura, pensou desgarrada...pensou nua ainda enquanto se olhava, parada. Os seios estavam inchados, sentia doloridos os mamilos quando os tocava...à vida o gole mais precioso da sua taça!
(...) Vestida numa sobriedade cinza, seguiu seu rumo torto com passos rinoceronte, face rinoceronte, com o amor rinoceronte.
Não! O amor não.
Passou horas e horas num conta gotas abusado com o amor à flor da pele.

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