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9 de novembro de 2011

Clarice me disse.

Antes de ontem assistimos a um pedaço do filme A Hora da Estrela, e me lembrei da sensação de ter lido o livro, aos 16 anos, apaixonada e completamente entregue à literatura de Clarice. Desde então ( e sim faço parte de um imenso grupo) não deixo de recorrer à ela sempre que sinto vontade, em dias como hoje. Há alguma coisa de bruxa, de mim, de muitas rainhas que conheço....


“Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória de cada dia: Não temos amado acima de todas as coisas,não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada.temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não parecermos inocentes.Temos mantido em segredo a palavra morte para tornar nossa vida possível.Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e temos sorrido em público do que não sorriríamos quando sozinhos. E a tudo isso consideramos vitória nossa de cada dia?”

31 de outubro de 2011

109 anos de Drummond


fotografia de Rogério Reis

Se Drummond fosse vivo estaria fazendo 109 anos hoje.
Gosto tanto de seu livro de poemas eróticos O Amor Natural, que quase fiz um espetáculo em cima dele....talvez um dia ainda saia ...Aqui um dos meus favoritos:

"Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua."


23 de agosto de 2011

la petit mort


Lendo o post da Ale Safra em seu blog  Dedos não Brocham (super recomendo!!), me lembrei desse ensaio de duas fotógrafas Nathalia Guimarães e Alexia Santi. Elas se fotografaram e a seus amigos no momento do orgasmo enquanto eles se masturbavam. O resultado ficou bem interessante, as imagens carregam uma certa densidade. A série chamada la petit mort virou uma exposição em 2009. Aqui um matéria na Trip.

16 de maio de 2011

Pavão MC na III FLIPIRI






Passamos o último fim de semana na III Flipiri em Pirenópolis-GO, meu companheiro, Pavão MC se apresentou na noite de sábado com músicas e poemas...e foi uma delícia. Na verdade confesso que não sei como cheguei até 2011 sem conhecer Piri é sério, mesmo com a proximidade com Brasília só fui conhece-la a go ra....e claro que o deslumbre foi imenso. Tanto pelo evento, como pela cidade gostosa e pela recepção maravilhosa que tivemos. Nos apaixonamos pela cidade e estamos muito agradecidos e lisonjeados pela oportunidade de participar desse evento. 





A Flipiri acabou mas com certeza voltaremos logo à cidade!!!

25 de março de 2011

A densidade de Aneta me fez lembrar essa cena.

O trabalho de Aneta Bartos me fez lembrar especificamente  uma cena de um dos filmes que mais gosto nessa vida, que conta o período em que  de Anaïs Nin conheceu o escritor e então futuro amante  Henry Miller. Gosto da literatura de ambos, preferindo ainda a acidez deliciosa de Henry. Anais escrevia textos eróticos por encomenda de um colecionador que pagava 1$ por página.  Era uma mulher nascida em 1903 que escrevia sobre sexo. Imagina o poder!!! Delta de Vênus um de seus livros mais famosos foi considerado a primeira ficção obscena de língua inglesa escrita por uma mulher e que só foi lançado após a morte  de Anais na década de 70, em plena revolução sexual. Perfeito seria se ela estivesse viva para sorver desse sucesso. Mas não quero me prolongar falando lindamente desse casal, e sim do filme que conta com um elenco fodástico. Dirigido por Phil Kauffman, Henry e June  de 1990 tem Maria de Medeiros como Anais, Uma Thurman como June a mulher de Henry e Fred Ward como Henry. Adoro essa cena:


17 de fevereiro de 2011

Sonhei com Caio

E estávamos em seu jardim, tomando chá enquanto ele me falava de suas roseiras. Pediu que acendesse uma vela, adoçasse o chá e os dias. Acordei com esse trecho dele na cabeça:







 imagem foi via

27 de fevereiro de 2010

Esbarrei

com Xico Sá e Luis Roberto Guedes agora na esquina da Paes Leme e lembrei desse texto muito elogiado do primeiro, citado mais cedo na Entrelinhas do Corpo, Encontro de Literatura Erótica ( achei o encontro de hoje um pouco truncado...um pouco velado demais para o assunto.) Na saida preferia ter conversado sobre o tema, com todos os tres, num bar ao inves desses esquema palestra/pergunta/ar condicionado/microfone/silencio...meu cliche, sempre prefiro os bares. Mas confesso que esse projeto é muy interessante.Voltando ao texto de Xico,eu também gosto do movimento de verstir-se de manha, do fechar o ziper, do secar cabelos, no meu caso observando o namorado que na lentidão cautelosa me traz uma certa música de barulhinhos, me beija sem muito estardalhaço e sai zonzo de sono pro dia. Um trecho do xico aqui:

"...Agora ela anda na casa, à procura do acessório perdido... Seus passos fazem música com os tacos, como é bom ouvir, excitado, aquele ritmo ainda embaixo dos lençóis.

Quando o destino é uma festa, o ritual não é menos nobre, mas ainda prefiro o preguiçoso espetáculo das manhãs –final das manhãs, digamos, porque madrugar ninguém merece.

E sempre rio baixinho do momento da dúvida na escolha do vestuário, quando você suspira, quando você solta o mesmo resmungo de todas as mulheres do mundo: não tenho roupa. Pode ser uma madame de alta classe ou uma jovem atriz que ainda trabalha de garçonete.

O importante é que você se veste e aquele filme, cinemascope, passa como sonho o resto do dia na minha cabeça. ..."


leia na integra vai?



20 de fevereiro de 2010

Mas pra passar essa acidez de um sábado torto fui

ENTRELINHAS DO CORPO - ENCONTRO DE LITERATURA E EROTISMOSESC Pinheiros ver a Alice Ruiz e Ivana Arruda Leite papearem conosco sobre "isso". Literatura feminina, erotismo feminino, gênero, Almodóvar e algumas perguntas sem noção que o pessoal sempre faz. Mas daí " que literatura menor é essa que gera tanta perseguição?" já disse Alice entre várias pontuações. Rótulos, preâmbulos, a pornografia feminina que ainda não foi feita para mulheres que ainda não são visivelmente orientadas, há controvérsias e se há!!!Pensei que ia ficar mais forte, mais explicito, mas não passamos muito disso...confesso no entanto que adorei remexer no tema, que muito me borda, que anda voltando.Muitas idéias.
E Alice Ruiz minha gente? que mulher linda é aquela heim?



Pra quem tá em Sampa esse projeto vai até sábado que vem, a programação aqui tá muito boa, a entrada é gratuita, os ingressos esgotaram cedo mas na real? é só chegar e tantar entrar pelos desistentes, sempre tem e foi assim que entrei hoje.
Sexta to lá olhando bem pra carinha do Xico Sá.





8 de fevereiro de 2010

Aos amigos do traço.


Mandrake em HQ na corrida por quem o trace.(ops) Na verdade acho que a corrida já acabou, fiquei sabendo só hoje do processo seletivo de quadrinistas para ilustrar o personagem de Rubem Fonseca em adaptação para HQ. Mandrake, aquele que a HBO também retratou em belas cores ( esverdeado muito) e cenas de sexo com direção do José Henrique Fonseca, esse mesmo já pode ser visto nessa nova versão pelos posts com os desenhos enviados.
Ansiosamente no aguardo.

obs: vou ser previsível demais se assumir que o Mandrake do Shiko foi meu preferido?



1 de dezembro de 2009

Blog de agora.

"(...)Nosso amor só pode estar tirando onda da nossa cara, é o tipo do amor que sabe rir da nossa desgraça, um amor de rapariga da última luz vermelha do fim do mundo, um amor da porra, que não respeita as leis do cosmo, nosso amor é uma ficção barata, café puro, pão na chapa, nosso amor nem esfriou ainda o cadáver, acabou no auge, como a carreira de Pelé, como os Beatles, nosso amor era sábio. E como os amores reencarnam, muito cuidado, senhoras e senhores, nosso amor pode estar rondando ai a sua área. Prendam o criminoso, onde está a polícia que não vê uma coisa dessas, tio Nelson? "



Xico Sá e café...se fosse mais tarde ia ser cachaça, mas sou uma moça comportada e só bebo de estomago cheio. =D

15 de outubro de 2009

Carta para uma querida amiga!



...Somos de pequenas delícias e eu coleciono algumas. Ao alcance dos dedos, carrego no bolso, nos lábios...entre meus cachos.
Coleciono palavras e recomendo....deleitosas a serem ditas num berro des-orientado, nos sussurros embreagantes, numa cantiga íntima. Tenho as minhas, queridas escolhidas no tato, toquei várias vezes suas texturas, experimentei seus sabores, assim declaradas em voz alta vira e mexe pelos cantos da casa, numa esquina da cidade, ao telefone enquanto choramingo saudades. É isso minha flor, uma das minhas delícias, uma enorme lista das palavras mais gostosas de dizer (incluindo palavrões cabeludos)....mas pra fechar esse depoimento que parece infantil, Neruda me costura com A Palavra dele...e eu te mando essa carta com o vento frio que passeia pelas ruas daqui.



Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ...

5 de outubro de 2009

pra de manha dar açucar.

....E deixar que me bebesse
e deixar que me esfaquiasse
ou com seus ferros e flores
pintasse que se bordasse....

(Reynaldo Jardim)

17 de agosto de 2009

Meu re-encontro com Caio.




Gosto dos possíveis esbarrões, essa semana quem me apareceu numa esquina foi Caio Fernando Abreu e suas sugestões para atravessar agosto que tomaram corpo, bocado de sal, quando Andressa leu em voz alta aqui na sala de casa. Foi o primeiro suspiro. O Caio cara, faz tempo que não leio nada dele. Apenas suspiro.
Mas mesmo que fugisse das belas sacudidas e infindos mergulhos apaixonados. Muito incenso e velas para Oxalá, sábado, enquanto terminava mais um copo de cerveja me deparei com ele, de novo, gritando tudo isso de sinceridade em minhas mãos. Dormi com ele , devorando o livro de Cartas que um amigo havia trazido na mochila. O encaixe não poderia ser mais perfeito, ele virgo com ascendente em escorpião e lua em capricornio, que plantava melissas e angélicas, amava discaradamente, doía mais ainda e passeava entre o adorar e odiar São Paulo, tem sido bastante companheiro.

Achei para download o livro de Cartas e aqui vai o link!!
Recomendo que seja lido com boa música!

15 de abril de 2009

Clarice e eu.

"estava vivendo menos do que podia e imaginava que sua sede pedisse inundações"

21 de novembro de 2008

"Esse livro me pertuba muito, é melhor ficar com você."

Então ganhei A Vida Sexual de Catherine Millet do Paulo com essa dedicatória, muito antes dele se mudar para Dubai, muito antes de assumir meu interesse com o tema. E até hoje gosto de ler trechos do livro, soltos num abrir de página casual. Aquela coisa de ter sorte ou não em abrir num trecho de encher a boca. Até porque acho cansativo o livro todo em si.
A verdade é que verbalizar o sexo sempre me pareceu difícil. Beirar um vulgar ou não, dar foda-se ao vulgar ou não? Expressar aquela putaria toda que se faz na cama!!!! É difícil cara! E confesso que "pouco" do que é produzido me envolve. E fato, adoro o trecho que posto agora!




"...Quando eu estava deitada, ele tirava o lençol num movimento que, ao mesmo tempo, percorria meu peito de par a par; eu podia ficar reta e imóvel sobre as costas enquanto a palma de suas mãos me varria inteira de uma só vez, como se eu fosse apenas um esboço. Quando chegava minha vez de me ocupar dele, eu, ao contrário, o explorava com minúcias, privilegiando as dobras do corpo, a parte de trás das orelhas, virilha e axilas, a risca das nádegas. Ia em busca até mesmo dos sulcos das linhas em suas mãos entreabertas. Durante essas preliminares, eu ficava pensando na delícia que seria dentro em breve, quando ele decidisse me virar para me foder como eu gosto, de quatro..."

Para quem não sabe quem é Catherine Millet e para quem se interessar dá pra fazer download do livro todo aqui!


16 de junho de 2008

Voltando pra casa.


A pequena ria muito, sentada no colo da vó que ignorava toda a barulheira. Percebo alguns ipês pelo caminho, e me deu vontade de fotografar um pequizeiro tão torto alí na Asa Sul mesmo.
Tenho Kundera no colo, aberto, discreto, que samba conforme os buracos da via...ouvia bem a menina que gritava em cada curva, ainda no colo da avó. Por minúcias do tempo, franzi a testa, reprovando aquela zuada incomum. Sim, ela gritava quase louca, mas ora...em seguida cá me invejo. Ai se fosse eu a menina, sentada no colo de vó, achando a graça do frio na barriga em curvas mais bruscas. O ônibus vazio, fazia um barulho de lata solta, o cobrador ria todo da cena, ele é quase padrinho da pequena, eu quase fui lá gritar junto. Engoli meu berro, porque tenho ainda letras de Kundera a serem percorridas. " Posso dizer então que o amor era para Franz, a espera contínua do golpe". Lembrei imediatamente do Michel e das tantas formas de reencontro, das pessoas que nos foram golpes intensos e severos, golpes que baqueiam a dança, dispersam os passos, que fazem a gente tremer pernas, cair de vertigem. De amor sempre caí. Não estanco.E não me culpo por ser intensa, nem por doer aguda ou gozar tão febril.Carrego comigo muito bem costurado, pontos dados desses amoresgolpes. Acho mesmo e é isso, acho mesmo que só sou por conta, e tudo muito me caracteriza tão clichê, bossa em boca molhada, mesa torta de bar, gole de vinho tinto.Um viva aos meus clichês!! Hoje visto verde, o casaco da Dêda que me é acalanto em noites frias,visto vertigem solitária,volto pra casa verde, Kundera entre braços, rua bem vazia, eu vazia um cado, mas com a intensa vontade de ser a menina que berrava nas curvas. Linda e simples, sem pra quê ter dessas vergonhas!

5 de junho de 2008

Luxúria em madrugadas.



"Mike também tinha um estúdio fotográfico em casa, equipamentos de primeira, até com fundo infinito e diversas paisagens, o maior high tech, e nós tirávamos fotos nus, não só nós quatro, mas muita gente mais, é assombroso como tem gente que sonha em tirar fotos nua, embora a maioria reprima, é uma pena e um desperdício. Botamos todo tipo de gente peladona naquele estúdio e em outros lugares que a gente descolava, era uma festa. Tiramos até fotos de uma freira, prima de Mike e portadora de uma cara de santarrona exemplar, mas que depois se revelou uma dessas freiras medievais de coleções fesceninas francesas de antigamente e adorava suruba, ou então transar comigo, transávamos praticamente todas as vezes em que nos víamos" ( João Ubaldo Ribeiro em A Casa dos Budas Ditosos)

4 de junho de 2008

sobre as últimas coisas...

"... lhe agarravam por baixo os ombros, comprimindo e ajustando, área por área , a massa untada dos nossos corpos, e ia pensando sempre nas minhas mãos de dorso largo, que eram muito usadas em toda essa geometria passional..." (Raduan Nassar)




Em toda minha manhã pensei canela, por conta dum chá que me adormeceu ontem a noite. O gosto ainda na boca, tanto falei de bocas numa das conversas sinceras com bêbados. Atraio os aquarianos dessa vida e eles me reviram, me mastigam se eu deixar mais um pouco de encontro.É fato, preciso te dizer. E tenho queda por virgianos sim, e se fazem música, cantarolam assim no minguar de noite. Queda por vermelhos, e por pés descalços, de calmaria que me dou de presente pelo menos uma vez ao dia. Descalça, sussurrando algum samba, porque ultimamente sou filha dele. E nele, no sambinha mais malandro, me lavo a alma em algumas rodas. Rodas e pernas, das saias rodadas das amigas macias, tô de alma livre, mas um cado surrada sim. Vidinha difícil essa de freela, fotógrafa vesga, descaso com as sinas. Mas costumo seguir os sinais, ai desses sinais, inclusive as benditas borboletas amarelas que me enfeitam o caminho...o último era estreito, iluminado por um sol bem safado...aquele que nunca esquenta. Mas sim, de asas amarelas.
Fecho a terça bem, Um copo de cólera, com essa solidãozinha das madrugadas e com a certeza de que amanhã é o dia pra começarmos aquela nossa fabulosa dieta!