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11 de março de 2009

oi.

Sentia as pernas bambas enquanto descia as escadas, as mãos trêmulas. Era certeza de que a voz não sairia quando o encontrasse pra enfim mandar aquele filho da puta pro inferno. Era esse tempo seco e quente, as ruas fervem, pessoas circulando mais agitadas...na garganta uma sensação ressecada. Só um grito filho da puta pra irrigar todo o corpo, resfriar aquela cena...e deixar pelo menos uma gota gelada de alívio. Nem sempre ser mansa é o caminho, morder também faz parte do jogo, mas cinismo é escudo de gente fraca.
...


Nunca gostei muito de quartas mesmo.



18 de fevereiro de 2009

hoje na augusta.

Despedaço de mim, ainda solta pelos rumos, ladeiras de solitude. Experimento paixões, latidudes, texturas tantas. Bebericando sempre meu bem, ao anoitecer, que é pros olhos não se cansarem dessa fumaça. nem dos carros que teimam a bater. Rio do estado, assim solta, despedaço de pernas, dedos, linhas. Amortecida das quedas de braço, bordada pelas surpresas dos encontros. Adoro esquinas, adoro travessas, adoro tomar umas e outras com quem eu bem quero e sempre.
Somos trança, ruído e embalo.
Emaranha quem bem tiver coragem.

19 de novembro de 2008

das cartas que nunca entreguei.

...amanhece nublado, muitas pessoas sonolentas, esparramadas em desânimo nos balcões das padarias, é preciso a primeira dose de ânimo nem que seja num pingado. Pombos imundos já passeiam pelas calçadas, vejo um velho de toca vermelha fumando o cigarro de palha. O cheiro me lembra as férias na fazenda e meus tios enrolando o Trevo nas palhas preparadas. Estou de azul, o que me deixa ainda mais pálida. Ele disse que viria, mas já muito atrasado, sinto que não. Dentre todos os blefes este veio com adoçante. Tomo o segundo copo de café, releio minha última carta. A melhor das frases escritas eu repito baixinho e saio guardando as moedinhas do troco.

eu mergulho.

18 de novembro de 2008

...

....preciso dizer, é uma poesia cansada. não sei se depois te tanta cerveja a nostalgia já me lambia rançosa a paciência, e ainda mais toda a cena bêbada de chuva. Gotinhas que caiam geladas respingando em minha canela. E falávamos de amores que escorrem cínicos. As malvadas sem coração, os Diegos Riveras que me agarram pela cintura. Mais uma pro garçom, que a noite só começava...

21 de outubro de 2008

com a língua...



No meio da conversa....mal sabia se estavam no meio de alguma coisa. A única certeza era a de que nem eram mais as goladas de vodka barata que o deixava tão zonzo, a fumaça toda, a música, a marca dos mamilos eriçados na blusa fina....ela teria um piercing ali?Pensava, enquanto alguém falava de ..........., pensava em escorregar a língua pelo pescoço cheio de pintas , mergulhando num decote absurdo....pra descobrir bem no meio de tanta gente.E ela dizia alto, o som da festa não deixava sussurrar, dizia que quem sabe!
Bebia caipirinha, dedos longos, lábios grossos, dentes levemente separados...a mocinha procurava o canudo com a língua quando o perdia, a mocinha o lambia antes de engolir.A mocinha foi chupar o mocinho no banheiro da boate....

19 de outubro de 2008

Outubro Rosa

Elas conversavam a tarde toda ali na varanda, minha tia com muitas pulseiras que faziam um barulho que se hoje escuto sou transportada imediatamente pra aquelas tardes, um tilintar, pulseiras enormes. Depois de um tempo Tia Neves parou de nos visitar, mamãe explicou sobre o câncer e eu não conseguia imaginar aquela mulher sem um dos seios. Ela se tratou, usava lenços lindos e que me davam vontade de passar as mãos o tempo todo. Só então depois de alguns meses nos reencontramos, ela sempre muito forte e com aquele batom vermelho. Hoje ela é uma senhorinha apaixonada pelas netas que continua com as pulseiras dos anos 80 tilintando por ai. E sabe que se não tivesse dado atenção ao seu corpo, poderia ter sido tudo muito diferente.




mulher consciente

quem me deu a dica para deste post foi essa moça aqui.
brigada fulô.

7 de outubro de 2008

felicidade simples





armou-se felicidade,enrolando os cachos,perfume. dos que escorregam pela nuca, desagua no peito. gargalha, e ri e canta, e de novo me faz uma piada infame sobre homens e coelhos e eu nunca imaginei que encontraria alguém tão parecido assim comigo, assim vizinha, assim maluca.assim macia.
assim...

29 de setembro de 2008

no pileque a gente entrega.

...de repente no meio daquela bagunça de cheiros, fumaça e gargalhadas. luzes da noite que chega, carros congestionando rumos na hora de voltar pra casa. pessoas que passam, circulam, mastigam, riem , passam de novo...de repente no meio do caos e dos meus goles, cerveja gelada, piadas internas, bochechas coradas.a boca adormece com o álcool, seria bom se ouvíssemos música. um pouco de calor...tive uma puta saudade de você. acabei soltando pra mesa sobre as possíveis paixões de vida, sobre descobertas e sobre bombeirinhos servidos com pedras de gelo inesquecíveis, sobre dias inesquecíveis...

coisas que aprendi contigo.

26 de setembro de 2008

em sextas proseantes

zengzung diz:
vai te lamber as beiradas então.
Preta e branca diz:
ahahahahhahahah
Preta e branca diz:
que frase tatiana. que frase.

8 de agosto de 2008

Carta ao amigo do litoral.

Poetas...
O que seria da gente sem tantos versos, tanto pranto em verbo? Minuciosamente costurados em noites solitárias, doloridas, que renderam sambas, que rogaram pragas, que fizeram o garçom trazer mais uma?
A gente bebe dos desgostos, das tertúlias, das fantasias....a gente também verbaliza a dor. Às ressacas de grande amores, tumultos chorosos. Sofrer de amor é tão clichê mas nunca deixou de ser peculiar. A dor é a mais pesada do mundo, o tempo rasga os dias, nem os perfumes das frutas inebriam. E a cura? Porque se adoece de amor, se adoece de desamor...
Mas há ainda o pós, sabe? É aquele cheiro de ruína, aquele silêncio depois das bombas, depois dos gritos...que é o oco. Poucas vezes passei pelo oco, sempre deixava amores e antes mesmo que parasse de soluçar já me agarrava à outras paixões, você mesmo me viu assim uma vez. Mas acho que já estava oca quando começamos a nos corresponder novamente. Um vazio desse de sentir o tempo sem graça, os dias amarelados. O tesão condensado em mim e somente em mim. É ruim quando não há comunhão.

Estive em SP, passei uma semana visitando amigos e contatos profissionais, essa semana me fez pensar em muita coisa, voltei pra desapegar de muito que tenho aqui. Um desapego material, desapego de orgulho, desapego de amores que ficam. Quase não volto, mas tinha a exposição, outros compromissos de trabalho. Lá em SP senti de novo as bochechas coradas, de uma ternura sabe? Foi um mergulho de calmaria. Voltei acarinhada, menos oca, me sentindo viva pelo simples fato de estar encantada. Simples fato....como se assim fosse. Mas o que quero dizer é que essa "oquidão" é só o silêncio pós guerra...logo se escuta música e nem sempre ela vem com outra pessoa. Pode vir em projetos, em descobertas, num bombom delicioso de cupuaçu, numa encarada em frente ao espelho.
Eu acho que renascer pode acontecer a qualquer momento, feito um susto, sem preparações, sem ansiedades. A gente se toca que está vivo de novo e pronto, todo o pranto a gente samba, todo rancor a gente desenha, e bebe mais uma brindando sim aos poetas.


Um beijo em ti e vá a praia por mim.
T.

3 de agosto de 2008

em brasília de passagem....

Voltei de São Paulo sem vontade de voltar, a não ser pela saudade dos de cá....voltei mais gráfica, mais rechonchuda, mais macia, mais agitada. Sem celular.
Queria ter visto Duchamp, a carol, mais da ju e do thi, a mila, Machadão na língua, queria ter comido mais sushi à preço bacanudo e enchido mesmo a cara de saquê.
Queria mais tempo com o andré....
Comprar mais quadrinhos, ir a mais inferninhos e com certeza entrar num daqueles puteiros espelhados. Fotografar a paulista a noite e conhecer mais bandas com pessoas engraçadas. Às pessoas engraçadas o meu brinde.

queria, quero.
voltei pra estar de passagem por aqui...Brasília miou, mirrou, tá encardida pra mim...
então sampaulo, carol, mila, andré e todos os velhinhos bigodudos dos bares pé sujo ( para lésbicas ou não) em breve soy yo aí!

*pronto falei e chega de falar de mim aqui....voltemos à nossa programação normal.
ya!

13 de julho de 2008

....estar sozinha no meio dessa situação toda me faz mais forte
só amoleço com musica mesmo.
então, vou quebrar as caixinhas de som!...

29 de junho de 2008

cuidar é o verbo do agora;

Furta a cor, e cora. diz:
tocar em frente...e cuidar da sua sensibilidade
zengzung diz:
é. tenho medo dela sabe? acho que endureço por um tempo...
zengzung diz:
mas é normal.
Furta a cor, e cora. diz:
sim.......e natural. mas tem que mimar ela tati...muuuuito.
Furta a cor, e cora. diz:
pra não rasgar demais.
zengzung diz:
sua linda

24 de junho de 2008

noite cosmopolitan


É claro que beberia mais uma cerveja se pudéssemos e se eu tivesse a certeza cientificamente comprovada de que posso continuar bebendo muitas cervejas. Mas o prolongar das histórias nos faz tão sensíveis, e claro que muito mais fortes.Acabamos de sair do cinema, Carrie , Miranda e claro Samantha, muito da lasciva que nos acompanhou por duas horas e eu assumo que só quem conheceu o seriado sabe bem do que estamos falando. Estamos falando de espelhos ilustrados, narrados inclusive em outra língua. Viva um bom drink e claro com um glamour sem etiquetas, não temos Vuitton nem bebemos Starbucks mas confessamos nossos deslizes, desejos e pecados em almoços, cafés e floreamos tudo mesmo com o riso.Preciso confessar que muito da noite foi o riso da Mi, que se revirava toda em cenas assim assado, e brilhava olho e owwwwnnn, aimmmmm. É assim, a história é de amizade, o filme conta não só com clichês femininos mas sobre a amizade entre mulheres. Muito se diz sobre a inveja, sobre a concorrencia entre o sexo feminino. Mas caro amigo, é preciso sentir o que bem sinto na confraria das macias....amigas, irmãs. Que só o destino pôde me trazer, e que sei bem...não seria pessoa melhor sem elas.Hoje, agora tenho vinho na taça (resolvi continuar meu entorpecer, como havia dito no café pra Mi, hoje queria cair em mim, alcoolizada) brindo à amizade como essa, de cachos, de pulsada, goladas boas de vida. Abraços longos, esporros abusados, TPMs e bordados em noites a fio. Eu brindo bêbada e feliz, prestes a dormir ali manso, prestes a dormir emocionada porque tenho dias de salto alto, miojo, choro descontido e boa risada de vida que somos e comungo com pessoas maravilhosas como foi hoje.Brigada bonita, pelo carinho e eu aceito sim emprestada a quarta temporada.
heheheh

18 de junho de 2008

Conclusão da madrugada de pileque:
ando ternurinha demais esses dias....
porra.

16 de junho de 2008

Voltando pra casa.


A pequena ria muito, sentada no colo da vó que ignorava toda a barulheira. Percebo alguns ipês pelo caminho, e me deu vontade de fotografar um pequizeiro tão torto alí na Asa Sul mesmo.
Tenho Kundera no colo, aberto, discreto, que samba conforme os buracos da via...ouvia bem a menina que gritava em cada curva, ainda no colo da avó. Por minúcias do tempo, franzi a testa, reprovando aquela zuada incomum. Sim, ela gritava quase louca, mas ora...em seguida cá me invejo. Ai se fosse eu a menina, sentada no colo de vó, achando a graça do frio na barriga em curvas mais bruscas. O ônibus vazio, fazia um barulho de lata solta, o cobrador ria todo da cena, ele é quase padrinho da pequena, eu quase fui lá gritar junto. Engoli meu berro, porque tenho ainda letras de Kundera a serem percorridas. " Posso dizer então que o amor era para Franz, a espera contínua do golpe". Lembrei imediatamente do Michel e das tantas formas de reencontro, das pessoas que nos foram golpes intensos e severos, golpes que baqueiam a dança, dispersam os passos, que fazem a gente tremer pernas, cair de vertigem. De amor sempre caí. Não estanco.E não me culpo por ser intensa, nem por doer aguda ou gozar tão febril.Carrego comigo muito bem costurado, pontos dados desses amoresgolpes. Acho mesmo e é isso, acho mesmo que só sou por conta, e tudo muito me caracteriza tão clichê, bossa em boca molhada, mesa torta de bar, gole de vinho tinto.Um viva aos meus clichês!! Hoje visto verde, o casaco da Dêda que me é acalanto em noites frias,visto vertigem solitária,volto pra casa verde, Kundera entre braços, rua bem vazia, eu vazia um cado, mas com a intensa vontade de ser a menina que berrava nas curvas. Linda e simples, sem pra quê ter dessas vergonhas!

11 de junho de 2008

de acalantos pra alma!

Lia Hilst quando ele chegou, vestindo uma camiseta verde que ressaltava todo o olho que me toca. Chegou manso, mas senti as pontas dos dedos esquentarem assim que enfim trocamos olhares a alguns centímetros. Dos momentos em que a distância nos era em kilômetros, largos tempos.

_Oi!
_Tarde linda essa...bem escolhido lugar, assim, de frente pro jardim. Bonita tua cena.
_Bonito tu de verde.

Bonitos sentamos juntos e a troca me foi imediata, pediu capuccino, hilst ficou fechada, mas ecoava, além de vós não desejo nada, além de mim, meias vermelhas, quase uma trança perdida...convites trocados. Desde sempre te convidava. Pernas cruzadas, adocei meu café, que antes puro...não sei porque, havia de ter a boca doce, é que no próximo momento, sem palavra! .

_Teu silêncio me floreia e chama pra perto.
...
Hoje visto verde pra te brindar.

6 de junho de 2008

O que ressoa.

Ah confesse vai?
Joga teus pecados que com eles a gente faz um samba!
Porque então, disse que sou discreta, de revoltos cachos, de qualquer drama
que nos afague. Bem digo em madrugadas de insônia, roteiros, relatórios, Deleuze e me conta
algo mais de Artaud com teu sotaque das ribeiras? Porque dum rio que nunca se represa, libidinosa declarada, dessa alma de gato que me arranha o juízo, há troca contigo. E te brindo, salve salve, em pleno caos geminiano, o gole servido de vida!!!
Eu de costas nuas, do que me vê, do que te ouço, do que nos enfeita bicho, amansa, embebeda e transforma.
Caímos juntos, perdemos rumos, gravei comigo.

4 de junho de 2008

Aprendendo a ser delicada com a amiga bruta!

d diz:
manda ela tirar o quadrupide equino da precipitação
zengzung diz:
hauhauhauahuauah
d diz:
porque gêmeas bivitelinas de pais e mães diferentes é coisa de série americana
d diz:
e não vai adiantar nada ela continuar tentando ser vc.
zengzung diz:
vou me benzer
zengzung diz:
e postar essa conversa!!