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8 de agosto de 2008
Carta ao amigo do litoral.
Poetas...
O que seria da gente sem tantos versos, tanto pranto em verbo? Minuciosamente costurados em noites solitárias, doloridas, que renderam sambas, que rogaram pragas, que fizeram o garçom trazer mais uma? A gente bebe dos desgostos, das tertúlias, das fantasias....a gente também verbaliza a dor. Às ressacas de grande amores, tumultos chorosos. Sofrer de amor é tão clichê mas nunca deixou de ser peculiar. A dor é a mais pesada do mundo, o tempo rasga os dias, nem os perfumes das frutas inebriam. E a cura? Porque se adoece de amor, se adoece de desamor...
Mas há ainda o pós, sabe? É aquele cheiro de ruína, aquele silêncio depois das bombas, depois dos gritos...que é o oco. Poucas vezes passei pelo oco, sempre deixava amores e antes mesmo que parasse de soluçar já me agarrava à outras paixões, você mesmo me viu assim uma vez. Mas acho que já estava oca quando começamos a nos corresponder novamente. Um vazio desse de sentir o tempo sem graça, os dias amarelados. O tesão condensado em mim e somente em mim. É ruim quando não há comunhão.
Estive em SP, passei uma semana visitando amigos e contatos profissionais, essa semana me fez pensar em muita coisa, voltei pra desapegar de muito que tenho aqui. Um desapego material, desapego de orgulho, desapego de amores que ficam. Quase não volto, mas tinha a exposição, outros compromissos de trabalho. Lá em SP senti de novo as bochechas coradas, de uma ternura sabe? Foi um mergulho de calmaria. Voltei acarinhada, menos oca, me sentindo viva pelo simples fato de estar encantada. Simples fato....como se assim fosse. Mas o que quero dizer é que essa "oquidão" é só o silêncio pós guerra...logo se escuta música e nem sempre ela vem com outra pessoa. Pode vir em projetos, em descobertas, num bombom delicioso de cupuaçu, numa encarada em frente ao espelho.
Eu acho que renascer pode acontecer a qualquer momento, feito um susto, sem preparações, sem ansiedades. A gente se toca que está vivo de novo e pronto, todo o pranto a gente samba, todo rancor a gente desenha, e bebe mais uma brindando sim aos poetas.
Um beijo em ti e vá a praia por mim.
T.
O que seria da gente sem tantos versos, tanto pranto em verbo? Minuciosamente costurados em noites solitárias, doloridas, que renderam sambas, que rogaram pragas, que fizeram o garçom trazer mais uma? A gente bebe dos desgostos, das tertúlias, das fantasias....a gente também verbaliza a dor. Às ressacas de grande amores, tumultos chorosos. Sofrer de amor é tão clichê mas nunca deixou de ser peculiar. A dor é a mais pesada do mundo, o tempo rasga os dias, nem os perfumes das frutas inebriam. E a cura? Porque se adoece de amor, se adoece de desamor...
Mas há ainda o pós, sabe? É aquele cheiro de ruína, aquele silêncio depois das bombas, depois dos gritos...que é o oco. Poucas vezes passei pelo oco, sempre deixava amores e antes mesmo que parasse de soluçar já me agarrava à outras paixões, você mesmo me viu assim uma vez. Mas acho que já estava oca quando começamos a nos corresponder novamente. Um vazio desse de sentir o tempo sem graça, os dias amarelados. O tesão condensado em mim e somente em mim. É ruim quando não há comunhão.
Estive em SP, passei uma semana visitando amigos e contatos profissionais, essa semana me fez pensar em muita coisa, voltei pra desapegar de muito que tenho aqui. Um desapego material, desapego de orgulho, desapego de amores que ficam. Quase não volto, mas tinha a exposição, outros compromissos de trabalho. Lá em SP senti de novo as bochechas coradas, de uma ternura sabe? Foi um mergulho de calmaria. Voltei acarinhada, menos oca, me sentindo viva pelo simples fato de estar encantada. Simples fato....como se assim fosse. Mas o que quero dizer é que essa "oquidão" é só o silêncio pós guerra...logo se escuta música e nem sempre ela vem com outra pessoa. Pode vir em projetos, em descobertas, num bombom delicioso de cupuaçu, numa encarada em frente ao espelho.
Eu acho que renascer pode acontecer a qualquer momento, feito um susto, sem preparações, sem ansiedades. A gente se toca que está vivo de novo e pronto, todo o pranto a gente samba, todo rancor a gente desenha, e bebe mais uma brindando sim aos poetas.
Um beijo em ti e vá a praia por mim.
T.
7 de agosto de 2008
tá lá.


Sempre tive uma enorme insegurança ao expor qualquer coisa que não fosse na internet, ( isso é estranho mesmo) essa foi a quarta vez que faço miúdas exposições. E claro que insegura continuo..ainda me acho despreparada e sofro de agonia ao ver alguém chegando perto, passando alguns segundos em frente de cada foto, saindo manso. Eu tenho vontade de romper o silêncio com um berro...
Porém agora, depois dessa exposição relâmpago e estranha, depois de algumas cervejas e conversa deliciosa com Dedurinha...to achando um bom exercício tudo isso. Perder o cabaço com público, perder a hipócrita sensação de proteção quando não estou ali, presente na fruição alheia.
Quero esporros, tapas, risos...quero que falem mesmo que tá uma merda!
Rá.
Porém agora, depois dessa exposição relâmpago e estranha, depois de algumas cervejas e conversa deliciosa com Dedurinha...to achando um bom exercício tudo isso. Perder o cabaço com público, perder a hipócrita sensação de proteção quando não estou ali, presente na fruição alheia.
Quero esporros, tapas, risos...quero que falem mesmo que tá uma merda!
Rá.
6 de agosto de 2008
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